Os textos universitários parecem um labirinto de normas, mas a verdade é que muitos acadêmicos ainda tropeçam nos mesmos apostos, como quem pisa em um Lego quente. Por quê? Porque o manual de normas virou um mito imutável, e quem tenta inovar logo se vê marcado como herege.
Primeiro, o aposto de clareza. Ele deveria ser a ponte entre jargão e compreensão, mas na prática funciona como um muro de palavras excessivas. Dois, o aposto de autoridade, que puxa citações gigantescas para dar “peso” ao argumento; tem gente que acha que mais citações significam mais credibilidade, mas só enche o texto de ruído.
Olha: a inserção compulsiva de notas de rodapé como se fossem confetes de Natal. Cada frase tem sua nota, cada ponto, sua explicação. O leitor perde o fio da meada e a fluidez morre na primeira página. A prática do “palavra‑chave‑estilo‑seção” também está em alta – basta colocar “estudo de caso” no título e pronto, parece artigo de revista de alto impacto.
Use metáforas, mas não vá pro nível de “a teoria é um iceberg”. Metáfora demais deixa o texto parecendo novela. Também, fugir de termos técnicos sem precisar parece trair a própria disciplina. É um mal‑abarro; tem que equilibrar o jargão com a clareza.
Aqui vai o ponto: revisão de apostos deve acontecer antes da última leitura, não depois da formatação final. Ferramentas de detecção de redundância ajudam a cortar o excesso. E, claro, um olhar crítico: “Esse aposto realmente agrega informação ou só preenche espaço?”.
Seguindo a linha de quem vive o dia a dia das publicações, eles apontam que o padrão ouro ainda é a concisão. “Se um aposto não for essencial, ele deve ser eliminado”, ecoam. Não há magia, só disciplina.
Esteja atento ao “efeito da citação”. Cada referência extra não é sempre um ponto a mais; pode ser um ponto a menos se não for bem contextualizada. O segredo está na sinergia entre o aposto e o argumento central – se não houver, o texto desmorona.
Abra seu último manuscrito. Procure um parágrafo. Se encontrar mais de um aposto que não explicite algo novo, apague. Simples assim.